
É sempre a hora errada.
Quando não é para os outros, é pra mim. Agora não. Agora não dá.
“Se você tivesse aparecido outra hora na minha vida eu ai me apaixonar perdidamente por você.” De todas as coisas dolorosas que ouvi nessa vida, acho que essa foi a pior delas. Saber que pode dar certo, que pode funcionar que pode ser lindo e perfeito. Mas não agora.
Então não pode dar certo e não pode ser lindo. Se fosse pra ser seria a hora certa. Mas não é. É a hora errada. Sempre é a hora errada. Sempre são as pessoas erradas disfarçadas de pessoas certas. Só pra te confundir e iludir.
A vida brinca com a gente e raramente temos as oportunidades de brincar com ela. O problema é que sempre podemos brincar com a dos outros, e os outros com a da gente.
Ou é tudo mentira. Essa coisa de hora certa e hora errada é só desculpa. Não é que é a hora errada, é que eu não to suuuper afim de você mesmo. Afinal eles nunca querem nada sério, mas depois de um mês que terminaram com você estão namorando aquela loira.
Mas quando é a minha hora que está errada, é verdade. Não é desculpa. Eu juro que sou louca pra viver um amor, uma paixãozinha que seja. Mas eu pedi tanto pra parar de acreditar que eu parei. Justo agora.
Eu sempre quis ficar abraçadinho no sofá no domingo. Mas agora eu descobri aquela festa que tem de domingo cheia de pessoas bêbadas que querem distância do amor ou de tudo que tenha sexualidade bem definida. Eu estou lá pulando com elas e celebrando a maravilha da liberdade vazia.
Eu pedi tanto, que parei de acreditar.
Cuidado com o que você deseja, pode se tornar realidade.
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Outro dia estava almoçando com uma ilustre figura... Minha mãe. E ela com toda sua sabedoria e auto-suficiência me disse: “você já reparou como tem casal almoçando e jantado fora que não trocam uma palavra durante toda a refeição? Deus me livre disso. Se vou passar meu almoço inteiro calada, que pelo menos passe sozinha!”
Depois disso comecei a reparar. É incrível a quantidade de casais que não se falam. Eles estão por toda parte, cinema, teatro, restaurantes, shoppings, Paris.
Porque será que isso acontece? Como um casal se deixa chegar nesse ponto? E como continuam assim?
Lembro de uma vez ver uma entrevista da Claudia Raia e do Edson Celulari e eles diziam que se um dia alguém vir os dois sentados numa mesa calados era pra ligar para a policia porque eles com certeza estavam sendo seqüestrados. Esse não foi um exemplo muito bom uma vez que eles se separam no começo desse ano. Mas enquanto foram casados, foram felizes. E quando acabou, acabou.
O importante talvez seja a honestidade. Não de um com o outro. Mas a honestidade que você tem com você mesmo. De olhar a situação e conseguir dizer, não dá mais. Eu não converso com meu marido.
A comodidade é inimiga da felicidade. Converse com seu marido, namorado, seja lá o que for. Dê risada com ele. Brigue, grite, discuta muito com ele. Isso nos mantém vivos.
Se você não fala com quem está ao seu lado, está na hora de começar a falar consigo mesmo.
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Hoje eu achei que estava perdoando alguém. Em uma conversa com uma amiga decidi: era hora de perdoar.
Afinal já fazia alguns meses que tudo tinha acontecido, eu já tinha sofrido por outro motivo e já estava novamente recuperada. Eu as vezes sentia vontade de conversar com você, essa sempre foi a melhor parte, a conversa. Te contar sobre um disco novo que eu comprei. Meu Deus eu fiquei louca de vontade de te contar quando me demiti, você sempre me apoiou a fazer isso. Mas não contei e não falei nada. Orgulho. Ou uma mentalidade de levar até o fim o que havia prometido pra mim mesmo enquanto a lágrimas rolavam no meu rosto por sua causa.
Mas hoje eu achei de devia perdoar. Fiquei sabendo que você também queria falar comigo, mas não fazia porque e tinha pedido pra que fosse assim. Respeito.
Você sentou na minha frente e eu pensei é agora. E assim foi. Natural. E eu pensava, que bom que estou perdoando. E o papo fluiu como sempre fluía.
Mas quando você foi sair do meu carro e sorriu pra mim com carinho, com consideração por tudo que tinha se passado, percebi que você era quem estava me perdoando e não o contrário. Perdoando por ter sido dura e te culpado por uma coisa que eu deixei você fazer.
Todos somos corações sozinhos pedindo socorro. Socorro. Então pra que criar mais uma situação de distanciamento e solidão se já estamos cheios disso?
Socorro.
Olha esse disco novo que eu comprei...
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Eu lembro da primeira vez que a minha mãe deixou eu ir até a padaria sozinha.
Eu estava lá em baixo do prédio, fiquei com fome e pedi, mãe posso ir até a padaria? Ela disse sim. E lá fui eu. Desci as escadas da portaria, o porteiro abriu um portão, e desconfiado ainda me perguntou, menina você vai sair sozinha? Vou, minha mãe deixou! Então ele abriu o outro portão e lá estava eu, sozinha pelas ruas de São Paulo.
Tá bom, na verdade sozinha por um quarteirão do Campo Belo. Mas pra mim parecia o mundo. Fiquei tão feliz e achei tão emocionante o fato de estar pela rua sozinha que me esqueci de comprar algumas coisas de propósito, só pra voltar de novo até lá. E assim foi.
Alguns dez anos se passaram e eu fui morar sozinha. E comecei e me deparar sozinha pelas ruas de São Paulo todos os dias. Hoje faço praticamente tudo sozinha. Durmo e acordo sozinha todos os dias, saio de casa sozinha, dirijo sozinha, como sozinha. Vou para o hospital com febre de madrugada sozinha. Eu cozinho e eu lavo a louça.
Tirando o fato de que eu nunca cozinho e muito menos lavo a louça, o resto é verdade.
As vezes é tudo um pouco assustador. De tempos em tempos decido que é hora de ir morar com alguém, chega disso de não ter com quem conversar a noite ou dividir uma pizza.
Mas não. Primeiro porque eu como uma pizza sozinha, e segundo porque privacidade é uma coisa que poucos tem totalmente e eu tenho. O preço que se paga pra isso é caro. Mas andar só de calcinha pela casa falando sozinha e ouvir Taylor Swift no máximo sem ninguém saber (agora todo mundo sabe), não tem preço.
Não posso dizer que não tenho uma carência de família. Mas ela se resolve final de semana sim outro não. A maior vantagem de ter família longe é que minha família de todo o dia são meus amigos. É pra eles que eu corro quando não quero almoçar pipoca no domingo.
Ter o meu espaço, a minha casa pra fazer o que quiser foi o que eu sempre quis. E eu vivo me esquecendo disso. Que hoje eu tenho nas mãos a liberdade e independência que parecia um sonho tão distante há cinco anos. I’m living the dream.
Estou precisando de um tempo comigo, longe de tudo e eu não preciso pegar um avião pra Austrália pra fazer isso. É só continuar exatamente onde estou.
Entrei nessa sozinha e é assim que vou sair. O segredo é ninguém.
Sozinha ela segue.
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Esse ano eu tive três relacionamentos. Não, esse ano eu tive três homens. Isso mesmo, um, dois, três e nada mais. E os três me enganaram e me fizeram de idiota.
A minha parte que é emoção insiste em achar que é macumba de alguma invejosa, mas minha razão tem certeza que de que a macumba é minha. Pra mim mesma.
Quando um cara te engana a culpa é dele, quando dois caras te enganam a culpa talvez seja dele, quando três caras te enganam, minha filha, a culpa é sua.
Na primeira vez eu sofri uns dois meses, na segunda um mês. Hoje estou oficialmente entrando na minha terceira fossa, e adivinha só? Amanhã de manhã já vou ter saído dela. Enough is enough.
Eu sou muito boa em sofrer, mas sou melhor em ser feliz.
Não vou me fazer de mulher vitima.
“Eu não to mais com o fulano porque ele apareceu com outra na minha frente/ porque ele ainda estava noivo e eu não sabia/ porque ele dormiu com outra e ainda veio se fazer de besta e me contar!”
Não. A partir de agora será assim: Porque você não está mais com Fulano? Porque eu sou louca e ele percebeu a tempo de achar uma mulher mais resolvida do que eu.
Ou melhor do que isso: Porque você não está mais com fulano. Ai um minuto, meu celular ta tocando. Alô?
O meu problema sou eu. O meu problema é não me aturar. Se eu não me agüento, porque raios um homem vai me agüentar?
Eu não sei ficar sozinha, na minha. Eu sou dependente do meu maior inimigo.
Que droga. Eu dependo de homem pra ser feliz.
Eu estava sempre ocupada demais criticando as outras, que na verdade são iguais, pra olhar pra mim mesma e dizer: Colega, você também tem esses problemas.
Que porra. Eu dependo de homem pra ser feliz.
Eu preciso ter um cara, qualquer um, no meu pé. Ou pelo menos um pra ir atrás. Ou no mínimo um na manga caso tudo der errado.
Que merda. Eu dependo de homem pra ser feliz.
A soma total dos dias desse ano que eu não tinha ninguém é igual a zero.
Indo contra tudo que eu disse a minha vida toda. Eu não sei ser feliz sozinha. Eu não me agüento sozinha. Eu tenho pânico de não ter ninguém.
Eu precisei de 21 anos, dezenas de homens, três pés na bunda consecutivos, uma amiga oposta a mim e seis garrafas de vinho pra dizer: Que cu. Eu dependo de homem pra ser feliz.
Como se diz, o primeiro passo para a solução de um problema é assumi-lo. Ai está. Logo no título desse texto. Eu dependo de homem pra ser feliz.
Agora o próximo passo é resolvê-lo.
Eu vou correr. Correr de quem? Vou correr dos outros em direção a mim.
Um, dois, três.
Foi dada a largada.
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